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Foto extraída de: http://sociedadedospoetasporvir.blogspot.com.br/2012/02/escrever.html |
As palavras... sim, as palavras
conduzem àquele que, de início, não sabe o que escrever, mas que deseja lançar
em um pedaço de papel o que lhe é mais próprio.
Quão difícil é, porém, deixar que
as palavras venham e, nessa vinda, permitir que elas mostrem um pouco de nós.
Ocorrem embaraços, desencontros, choques... Até que uma resolve surpreender e
então é lançada, às vezes de forma despretensiosa, naquele papel em branco, que
a gente quer preencher.
O começo é difícil. Ver um papel,
sem palavras, sem rabiscos, pode causar angústia. O que escrever? Por onde
começar? Diriam alguns, que se julgam sábios: “Pelo começo!”. E o começo? Como
começo? E é essa a dúvida primeira, a de como começar, que pra uns significa a
completa paralisia e pra outros, a vontade de responder.
Um texto, assim, nem sempre é
fácil de ser escrito. Ao contrário, ele traz em suas entrelinhas, sentimentos
contraditórios que acometem o autor no momento do escrever. Ao mesmo tempo em
que o papel em branco pode trazer angústia, ele faz emergir a responsabilidade,
seja a de agradar a alguém com palavras que ainda estão por vir, seja a de trazer
a nós um alívio, quando fazemos do papel um confidente e falamos a ele o que
sentimos. Ambas se relacionam. Quando agrado a alguém sinto alívio. Quando
busco um alívio, agrado a mim mesma, por, minimamente, ter lançado no papel
aquilo que queria dizer.
O papel, então, pode ser um grande
amigo e o escrever uma tarefa grandiosa. Mas existem aqueles que, ao
transformarem o escrever em um instrumento competitivo, o tornam coisa
obrigatória, coisa a ser feita. Quem é que gosta de fazer algo obrigado? O
autor gosta de se sentir livre... De poder levar as suas palavras a quem
quiser, mesmo que seja somente a ele mesmo. De poder escolher, considerando o
tudo que o circunda...
Mas voltando ao começo, que é tão
difícil começar... Quão grande é a responsabilidade daquela palavra que inicia
o texto. Ela mostra que o papel não está mais vazio, que existe algo ali e que
o autor já se colocou, posicionou-se, saiu da zona de conforto. Começar a
escrever, é, então, começar a agir, lançar-se ao julgamento.
Após a primeira palavra, seguem-se
outras, cada uma buscando “completar” às anteriores, dar um sentido, que muitas
vezes a gente pensa que achou e que é fechado, mas que na verdade é um devir,
representado pelas constantes edições que o autor faz naquilo que outrora
escreveu.
Chega-se, então, a outro momento,
o do término. Por vezes, tão ou mais difícil que o começo. Às vezes, tem-se um
limite concreto, colocado pelo outro, que se traduz pela quantidade de linhas
ou laudas. Em outras vezes, é o autor que determina o limite, considerando,
muitas vezes, não a quantidade, um dado objetivo, mas aquilo que quer dizer. Se
existe a pergunta “como começar?”, existe uma outra, “como terminar?”. E,
diante disso, lanço uma questão: é possível, efetivamente “terminar”? O que é
“terminar”? Esta, por vezes, tende a ser uma pergunta difícil de ser
respondida. Mas vale considerar que nem sempre o término pode ser o sinônimo de
fim, de algo acabado. O término pode abrir caminho para um novo começo, ou um
recomeço.
Assim, as últimas linhas do texto,
as últimas palavras, pretendem, por ora, finalizar o que foi escrito. O papel,
agora rabiscado, espera pela palavra final, o último ato. Às vezes, essa última
palavra vem meio que naturalmente e o autor a coloca, sem receio, seguida por
um ponto final. Noutras vezes, o autor demora a achar esse verbete final e
põe-se a perguntar, dentre inúmeras possibilidades, qual a melhor forma para
terminar seu texto.
Pode-se ainda ter um texto
inacabado, interrompido bruscamente, abandonado. Nesse caso, o autor talvez
estivesse indeciso, entre o não querer terminar, o não estar pronto para
terminar ou o não poder terminar. Ainda assim, haverá uma última palavra, que
talvez indique tão somente uma interrupção.
As palavras, então, contemplarão
aquele que as lançou sobre um simples papel em branco. Dirão algo sobre esse
autor, falarão... Podem ser lidas, re-lidas, modificadas, porém, uma vez
lançadas, deixarão uma marca, ocuparão um lugar. Serão o autor na folha de
papel outrora vazia.